
Um homem quando se torna carente tem grandes chances de se tornar deprimente e depressivo, muito mais deprimente na verdade.
E esse mesmo corre o risco de se tornar um poeta... pobre ser. Acha que é alguma espécie de Deus brincando com as palavras, mas mal sabe ele que elas fazem dele o que bem querem. Que de nada vale seu semblante ou seu orgulho, gozam dele as emoções e sensações perante a sua escravidão.
Indiscutivelmente, agora que conheço a minha sina, para que me preocupar? Quem é poeta é no mínimo amaldiçoado, escória da humanidade, um anjo de asas quebradas.
Eu tenho a paixão das prostitutas, o amor das donzelas e a veneração das damas-da-noite. Por isto só sigo na madrugada, prefiro a companhia dos morcegos à dos semideuses! Ainda me permito voar, mas quando volto ao chão meus pés ardem como se eu pisasse em brasas, e minhas grandes asas machucadas dificultam meu caminhar arrastando-se no asfalto.
Preciso de um olor forte e um gosto doce para aliviar a minha dor. Mas não me resta um mísero mango no bolso.
Deus me deu a arte para que eu ficasse louco. Assim meu sorriso é devéras melancólico.
Cheguei ao ponto! Eu dou risada de minha desgraça.
Por isto meu vinho é do bar mais escuro, da adega mais suja, da esquina mais fedorenta. Eu vivo entre os ratos: "Procure um rato entre os homens e encontrará um príncipe entre os mortais” – Naquelas longas noites de solidão.
Ah... Eu cansei dessa angústia. Maldição. MERDA!
Esta piada não me faz mais rir, a não ser nos momentos de lascivos de raiva e possessão em que me torno masoquista, (até sádico talvez).
Eu cuspo na sua cara com meus versos!
Mesmo estando... perdido, pisado.
Deus me pede uma canção e eu não tenho um PUTO no bolso.
POR ISTO O VINHO DOS POETAS É SEMPRE O MAIS BARATO.
Ironia...deixe-me me embriagar... eu medíocre... eu desgraçado!